terça-feira, 11 de julho de 2017

O ESPAÇO-TEMPO



Esse momento. Neste exato momento. Ele está lá. Eu me encontro aqui. Calado, observando a sua calma passagem. Penso também eu... Esse momento, neste exato momento... Eu queria  estar lá. Tangível é o mundo e quão belo... Não, não para mim, não para você. E imagine dois segundos desta louca odisséia do seu alcance. O quão lindo seria este momento, aquele exato momento. O ser homérico em sua jornada que corta os confins do universo, cantos  remotos pontilhados aqui e ali. E talvez no momento, no exato momento de minha jornada final, eu ficasse ali hipnotizado, estonteante e espirituoso. Aquele momento com certeza... Seria meu último suspiro. Aquele quadro levaria comigo, intacto em meu ser. Eu sorriria antes e diria em meu adeus, que gerações saibam o quão belo é ser e estar no desconhecido.

Em algum momento de 2014

domingo, 4 de junho de 2017

Último poema de primeira namorada


Estou ficando velho

Ou é só a cabeça?

Já fazem 2 anos e meio

E nada faz com que eu me esqueça



É só sedimento amor

É papel em cima de papel

Somos só isso amor

E está tudo bem

Ficamos assim então

Do jeito que está

Eu por aqui e tu por lá

Tu sempre lá

Te confundi a mim mesmo e de mim não consigo escapar



Vai foge, encontra outro amor

Ajeita tuas coisas

E não esquece de mandar um beijo pra tua mãe

E, por favor, parem de brigar!



Eu briguei hoje amor

Virei as costas dois anos atrás

Virei de novo e me vi
Incapaz

Falei de ti

E daquele dia que choramos na pracinha da rua



Falta de cara é o que se pode esperar

De gente que sofre sem mal saber amar

Ele me olhou depois

E juro que quando falei de ti

Ele riu

Rancor; nem sabia do que se tratava

Naquele dia da praça

Me disse que ali te amava

E que ali também deixou de te amar



Existem feridas que não se podem curar

Nem com beijo de primeira namorada



Esquece e deixa esquecer

Que o esquecimento sublime te faz

Foi bom amar como te amei Carol

Foi bom para nunca mais.

domingo, 21 de maio de 2017

Pai


Meu pai é ignorante.
Não só intelectual, é da vida também.
No máximo, os anos fizeram dele um ser mais dócil e paciente.
Mas para por aí.
Meu pai tem 52 anos, por julho terá 53.
5 décadas não foram o suficiente para fazê-lo entender que não se enriquece rápido e fácil.
A não ser na loteria.
Meu pai e minha mãe separaram-se quando tinha 5 anos.
O advogado perguntou e eu respondi:
- Com a minha mãe.
Depois disso pouco vi meu pai.
Hoje reparo e vejo nele quase tudo que não quero ser.
Mas não é de todo tão mau assim.
Se não é pelo erro, como se enxerga o acerto?
Reclamo, rosno, me doo
Mas não sei até onde gostaria que fosse diferente.
Sei lá.
Talvez se criando assim, desse jeito mesmo, meio torto, meio errado
A gente se torna mais gente.
Aquele pai que não tive, é pena, nunca me faltará
Pois coisas que nunca existiram não plantam apego em terra de ninguém.
À minha mãe, deixo um abraço.
Ao meu pai, um beijo
E uma mordida sem dente.
Que não venhas a se culpar 
A vida é mesmo assim
Uma permissão para se fazer ausente.
 

sábado, 22 de abril de 2017

C'est la vie, cherry



a vida, essa vida, é mais que a vida, muito mais

a vida, essa que gruda nos olhos e só a morte faz soltar

é mais que ela mesmo poderia se imaginar ser e transcende a morte em 10 minutos

a vida não se imagina, como a gente faz

a vida é e não a concebemos

da mesma forma que não concebemos a mente

e no entanto tudo é pessoal

pois bem no fim, somos delimitados pelas paredes da carne

e o mundo é senão, o contorno de um suspiro capturado pelos sentidos

que o tempo faz também morrer

não podemos estar um passo adiante da própria visão

se não fecharmos os olhos de vez em quando

por isso talvez a morte seja uma verdade mais madura.