Minha tez pré calva.
A adolescência por dias contados.
Teu sexo implícito e distante.
E os dias adultos ainda muitos por vir.
Desnecessariamente sérios e corteses.
Até que de novo me torne criança.
E morra infantil em teus braços.
Sem saber por que nem pra que.
Genuinamente surpreso e espantado.
Como aquela vez em minha primeira infância.
Quando fui ao Beto Carrero sem meus pais.
Criadora de conteúdo poético para jovens com inclinações musicais para o post punk/lo-fi/dream (ou) pop/shoe gaze e a camisa daquele álbum do joy division.
quarta-feira, 8 de novembro de 2017
sábado, 9 de setembro de 2017
IRA
Eu só queria sair daqui, ir pra praia
Fumar um cigarro, tomar uma cerveja
Mas eu não tenho dinheiro pra nenhuma dessas duas coisas
Eu só queria sair desse lugar, me livrar desse barraco
Que não permite intimidade, pouco conforto
Ratos no assoalho e banheiro imundo
Onde estranhos passam o dia todo
Eu só queria sair daqui
Dizer um adeus pro meu pai
E pra essa relação complicada
Essa paternidade porcamente exercida
Esse homem já velho, já gasto
Infeliz em suas escolhas
Mas o aluguel é caro
Elimina qualquer ideia de economia, poupança
Queria ser como meus amigos
Uma bolada gorda da herança da vó
Mesada na conta todo fim de mês
Pais importantes, formados, acadêmicos
Família de títulos
Venho de gente pobre
Sem nome, sem título
A origem assombra o destino
O corpo e a mente pedem
Castigo
Por crimes não cometidos
E a química cerebral é mais forte até que ponto
Os limiares da sanidade são válidos até que ponto
As doenças destroem até que ponto
E o livre-arbítrio, alguma vez contou
Alguma vez existiu?
Ou a hierarquia fala
mais forte,
Ou as relações de poderes e instituições milenares são
paredões intransponíveis
Contra o livre-arbítrio do jovem bem aventurado
A doçura, o gênio, a inventividade contam quando se nasceu
pobre favelado?
Ou pobre rural
Ou pobre urbano medieval
Ou pobre sempre a mesma coisa
É essa mescla complexa,
Espelho do comportamento humano
E já nos fizeram acreditar que tudo isso não tem jeito não
São condições além
São barreiras genéticas
De pai pra filho
Pau que nasce torto, morre torto
E a semente vingou
Fez enlouquecer milhares
Como se já não bastasse o surreal da vida
É claro que o pobre pode vencer
Pelo menos, é essa minha esperança
Eu sou apenas um rapaz latino americano
Sem dinheiro e sem parentes importantes
E isso nunca foi tão verdadeiro
E isso nunca foi tão localizatório
Não é a ira aos ricos
Nem mágoa tão pouco é
É apenas uma dor que machuca
É apenas um gemer auditivo
E o medo de se sofrer sozinho
Que ninguém quer ouvir
Por isso por vezes ressoa surdo
Eu sou eu
Eu sou meus problemas e meus fluídos
Que todos ditam comportamento
E se agora como um doce qualquer,
A indignação existencial parece ir embora
E a coisa mais importante, além da morte e da vida
O torpor das drogas pareceu calar
E de tabela arrancou meu lirismo
Com um corte um pouco acima da raiz
O grito ressoa em cabeças milhares
Espalhadas pelo mundo
Podem nos tirar tudo
As roupas, a vergonha, a dignidade
Só não nos tiram uma ideia
O solo da mente ainda é fértil
E a semente essencial germina em dimensões quaisquer
sábado, 26 de agosto de 2017
Hitler, budismo e kama sutra
Esta biblioteca tem muitos livros.
Mas não posso lê-los todos
Então minh’alma dói.
Ando nos corredores e vejo as estantes.
Agacho e ajoelho.
E vejo mais.
Hitler, budismo e kama sutra.
Produto do homem.
Como homem que sou,
Desejo ser parte desta biblioteca.
Então digo a bibliotecária.
Olá, sou Leonardo Nascimento, videirense e faço poesias.
E ela me diz, taciturna:
E o que deseja?
E eu lhe digo, nada odioso.
Desejo conceder minhas poesias à sua biblioteca.
Ela recusa e eu me afasto.
Confuso e cabisbaixo.
Olho para trás.
Ué, são tantos livros.
Agora tudo aquilo me amargura.
De poeta que sou e integrante da mocidade.
Não saio dali sem deixar meu sinal.
Escrevo na mesa dessa moça bonita,
O verso que soou tão bem para mim.
E a moça bonita retorna um sorriso.
A qualquer sorte de tipo que ali se sentar.
De mendigo a estudante.
Lerá a inquietante frase sem sentido.
E se perguntará que diabos de trem pode significar.
Hitler, budismo e kama sutra.
Pronto, agora sou parte da biblioteca municipal.
Leonardo Nascimento, videirense e fazedor de poesias.
Em algum mês do ano de 2014 acredito, odioso e revelador
Nota do autor: Esta poesia foi por considerável parcela de tempo, a minha preferida. Veio ao mundo das coisas, do jeito que gosto que as coisas venham ao mundo, leves e despretensiosas. Esta não levou nenhum pedaço meu, dos quais venho perdendo inúmeros desde os 14 anos e aos quais algum dia a consciência me lançará à procura, se agora mesmo já não a estou, arrombando portas sem prévia explicação, já que a ressaca do corpo e da mente não me pouparão pela manhã. Essa poesia foi escrita em tempos mais leves, para mim e para o mundo. Pois, se é verdade que a memória o passado abranda, também é fato que não houve aviso prévio ou manual para os últimos dois anos. Esta poesia brinca com as palavras, os temas, ao ponto de quase divertir-se, só não diverte-se de fato pois isso é coisa de seres humanos e não de textos. Textos têm cara sempre formal, pouco importam as palavras, de longe são todos a mesma coisa, sempre letras acompanhadas de mais letras, sempre uma superfície para se estar sobre, sempre um espaço linear a se ocupar. Ahh, mas assim são também os homens e pobre daquele que se pensa único. Estou divagando, mas isso também, está bem. A poesia, essa mesma, é uma criança travessa, quer vestir Hitler com tutu de bailarina só para pôr o povo todo a rir, pois ora essa, donde já se viu, um homem de tal idade e feição vestido feito uma menina, cantarolando pelas vielas do bairro. Quer arrancar o budismo da sobriedade monástica por pura birra e mal criação e acima de tudo, quer ser criança por apenas assim ser.
Talvez lhe ensine alguma coisa, lhe seja de algum uso, assim espero e se mesmo assim não for, tens aqui um texto e sinceros votos de sucesso e amor do autor que vos fala e que ao final deste parágrafo, calado aderirá à massa civil e ordinária circundante, que ao seu tempo também foram todas crianças, adoráveis e únicas.
terça-feira, 11 de julho de 2017
O ESPAÇO-TEMPO
Esse
momento. Neste exato momento. Ele está lá. Eu me encontro aqui. Calado,
observando a sua calma passagem. Penso também eu... Esse momento, neste exato
momento... Eu queria estar lá. Tangível
é o mundo e quão belo... Não, não para mim, não para você. E imagine dois
segundos desta louca odisséia do seu alcance. O quão lindo seria este momento,
aquele exato momento. O ser homérico em sua jornada que corta os confins do
universo, cantos remotos pontilhados
aqui e ali. E talvez no momento, no exato momento de minha jornada final, eu
ficasse ali hipnotizado, estonteante e espirituoso. Aquele momento com
certeza... Seria meu último suspiro. Aquele quadro levaria comigo, intacto em
meu ser. Eu sorriria antes e diria em meu adeus, que gerações saibam o quão
belo é ser e estar no desconhecido.
Em algum momento de 2014
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