Esta biblioteca tem muitos livros.
Mas não posso lê-los todos
Então minh’alma dói.
Ando nos corredores e vejo as estantes.
Agacho e ajoelho.
E vejo mais.
Hitler, budismo e kama sutra.
Produto do homem.
Como homem que sou,
Desejo ser parte desta biblioteca.
Então digo a bibliotecária.
Olá, sou Leonardo Nascimento, videirense e faço poesias.
E ela me diz, taciturna:
E o que deseja?
E eu lhe digo, nada odioso.
Desejo conceder minhas poesias à sua biblioteca.
Ela recusa e eu me afasto.
Confuso e cabisbaixo.
Olho para trás.
Ué, são tantos livros.
Agora tudo aquilo me amargura.
De poeta que sou e integrante da mocidade.
Não saio dali sem deixar meu sinal.
Escrevo na mesa dessa moça bonita,
O verso que soou tão bem para mim.
E a moça bonita retorna um sorriso.
A qualquer sorte de tipo que ali se sentar.
De mendigo a estudante.
Lerá a inquietante frase sem sentido.
E se perguntará que diabos de trem pode significar.
Hitler, budismo e kama sutra.
Pronto, agora sou parte da biblioteca municipal.
Leonardo Nascimento, videirense e fazedor de poesias.
Em algum mês do ano de 2014 acredito, odioso e revelador
Nota do autor: Esta poesia foi por considerável parcela de tempo, a minha preferida. Veio ao mundo das coisas, do jeito que gosto que as coisas venham ao mundo, leves e despretensiosas. Esta não levou nenhum pedaço meu, dos quais venho perdendo inúmeros desde os 14 anos e aos quais algum dia a consciência me lançará à procura, se agora mesmo já não a estou, arrombando portas sem prévia explicação, já que a ressaca do corpo e da mente não me pouparão pela manhã. Essa poesia foi escrita em tempos mais leves, para mim e para o mundo. Pois, se é verdade que a memória o passado abranda, também é fato que não houve aviso prévio ou manual para os últimos dois anos. Esta poesia brinca com as palavras, os temas, ao ponto de quase divertir-se, só não diverte-se de fato pois isso é coisa de seres humanos e não de textos. Textos têm cara sempre formal, pouco importam as palavras, de longe são todos a mesma coisa, sempre letras acompanhadas de mais letras, sempre uma superfície para se estar sobre, sempre um espaço linear a se ocupar. Ahh, mas assim são também os homens e pobre daquele que se pensa único. Estou divagando, mas isso também, está bem. A poesia, essa mesma, é uma criança travessa, quer vestir Hitler com tutu de bailarina só para pôr o povo todo a rir, pois ora essa, donde já se viu, um homem de tal idade e feição vestido feito uma menina, cantarolando pelas vielas do bairro. Quer arrancar o budismo da sobriedade monástica por pura birra e mal criação e acima de tudo, quer ser criança por apenas assim ser.
Talvez lhe ensine alguma coisa, lhe seja de algum uso, assim espero e se mesmo assim não for, tens aqui um texto e sinceros votos de sucesso e amor do autor que vos fala e que ao final deste parágrafo, calado aderirá à massa civil e ordinária circundante, que ao seu tempo também foram todas crianças, adoráveis e únicas.
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